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Valor adicionado

DVA: a demonstração que mostra quanta riqueza sua empresa gera — e para onde ela vai

A DVA mostra a riqueza criada pela atividade empresarial e como ela foi distribuída entre empregados, governo, financiadores e proprietários.

Quando um empresário olha as demonstrações contábeis, a pergunta quase sempre é: “quanto sobrou de lucro?”. A DVA — Demonstração do Valor Adicionado — conta outra parte dessa história: quanta riqueza a empresa criou e quem recebeu cada parcela.

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O que é valor adicionado?

Imagine um vendedor que compra um livro por R$ 70 e o revende por R$ 100. De forma simplificada, a diferença de R$ 30 é o valor que a atividade adicionou àquele bem. É essa riqueza que ajudará a remunerar trabalho, governo, financiadores e o capital dos proprietários.

Fórmula simplificadaValor adicionado = Receitas − Insumos adquiridos de terceiros

Os insumos adquiridos de terceiros incluem mercadorias, matérias-primas, energia, serviços contratados e outros itens comprados fora da empresa. O que resta depois dessas deduções é a riqueza adicionada pela atividade da própria entidade, antes das demais etapas previstas na DVA.

Duas empresas com faturamento semelhante podem gerar valores adicionados muito diferentes. Uma revenda que compra produtos prontos e opera com margem estreita tende a adicionar menos por venda que uma atividade com maior transformação. Isso não torna uma melhor que a outra: modelos de negócio diferentes precisam ser comparados com contexto.

O número absoluto não conta tudo

Um valor adicionado maior mostra mais riqueza criada em termos absolutos, mas não mede sozinho eficiência, rentabilidade ou produtividade. Para isso, é necessário relacioná-lo ao faturamento, aos ativos, ao número de pessoas e ao histórico da empresa.

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Parte 1: como a riqueza foi gerada

A primeira metade da DVA mostra como o valor adicionado foi formado. O modelo parte das receitas, deduz os insumos adquiridos de terceiros, considera as retenções e acrescenta o valor recebido em transferência.

EtapaO que representa
ReceitasVendas de mercadorias, produtos e serviços, com os tributos incidentes incluídos, além de outras receitas previstas no modelo. Devoluções e perdas estimadas com créditos de liquidação duvidosa são consideradas conforme a norma.
Insumos adquiridos de terceirosCustos de mercadorias, materiais, energia, serviços de terceiros e outros insumos, apresentados com os tributos incluídos no momento da aquisição.
Valor adicionado brutoA diferença entre as receitas e os insumos adquiridos de terceiros.
RetençõesDepreciação, amortização e exaustão: o consumo contábil dos ativos utilizados para gerar a riqueza.
Valor adicionado líquido produzidoA riqueza produzida pela entidade após as retenções.
Valor recebido em transferênciaResultado de equivalência patrimonial, receitas financeiras e outras riquezas geradas por terceiros e transferidas à empresa.
Valor adicionado total a distribuirO total que será conciliado com a distribuição mostrada na segunda parte da demonstração.
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Parte 2: quem recebeu a riqueza?

A segunda metade da DVA mostra como o valor adicionado total foi distribuído. A estrutura prevista na norma organiza essa distribuição em quatro grandes grupos.

Pessoal

Remuneração direta, benefícios e FGTS. Entram salários, férias, 13º, assistência médica, alimentação e outros valores destinados às pessoas que trabalham na empresa.

Impostos, taxas e contribuições

Valores destinados aos governos federal, estaduais e municipais, incluindo contribuições previdenciárias de responsabilidade do empregador.

Capitais de terceiros

Juros, aluguéis e outras remunerações pagas a quem forneceu recursos financeiros ou bens para a empresa.

Capitais próprios

Juros sobre o capital próprio, dividendos, lucros distribuídos e lucros retidos ou prejuízo do exercício, conforme o caso.

A regra de fechamento da DVA

A soma dos quatro grupos da distribuição deve ser igual ao valor adicionado total a distribuir. Se os números não fecham, a demonstração precisa ser revisada.

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Como interpretar a DVA na prática

Quanto da riqueza foi destinado ao governo?

A DVA apresenta em reais — e pode apresentar também em percentuais — a parcela destinada a impostos, taxas e contribuições. Em algumas empresas essa fatia é expressiva, mas sua leitura deve considerar o setor, o regime tributário e a natureza das operações.

A empresa depende mais de pessoas ou de insumos?

Uma participação elevada de pessoal mostra quanto da riqueza remunera trabalho e benefícios. Se os insumos consomem grande parte das receitas, negociação com fornecedores, perdas, precificação e eficiência operacional podem ter impacto relevante sobre o valor adicionado.

Quanto da riqueza remunera bancos e locadores?

A remuneração de capitais de terceiros evidencia juros, aluguéis e valores semelhantes. Uma participação crescente de juros ao longo dos anos pode indicar que o custo do endividamento está consumindo uma parcela maior da riqueza.

O lucro foi distribuído ou permaneceu na empresa?

A remuneração de capitais próprios permite distinguir valores distribuídos de lucros retidos. Quando há prejuízo, ele aparece com sinal negativo nessa parcela, reduzindo a remuneração total atribuída aos capitais próprios.

O que mudou de um ano para o outro?

A comparação entre períodos ajuda a verificar se a empresa criou mais riqueza e se mudou a forma de distribuí-la. Para comparar empresas diferentes, use organizações de porte, setor e modelo operacional semelhantes.

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Três confusões comuns que a DVA ajuda a evitar

1. Valor adicionado não é lucro

O lucro ou prejuízo é apenas uma das parcelas da distribuição. Uma empresa pode gerar muita riqueza e reter pouco resultado porque grande parte foi destinada a pessoal, governo e capitais de terceiros.

2. Faturamento alto não garante valor adicionado alto

Um negócio pode faturar muito e adquirir quase tudo pronto de terceiros. Outro pode faturar valor semelhante e realizar internamente mais etapas de transformação. A DVA evidencia essa diferença, mas a comparação deve respeitar o setor e o modelo de negócio.

3. Depreciação não desaparece

Depreciação, amortização e exaustão aparecem como retenções. Elas representam o consumo dos ativos utilizados pela empresa e são deduzidas para chegar ao valor adicionado líquido produzido.

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Quem é obrigado a apresentar a DVA?

A Lei nº 6.404/1976 exige a Demonstração do Valor Adicionado das companhias abertas. A NBC TG 09 (R1) também alcança outras entidades quando houver exigência legal ou regulatória e recomenda a elaboração por outras organizações que divulgam demonstrações contábeis.

Mesmo quando não é obrigatória, a DVA pode enriquecer relatórios para sócios, investidores, bancos, licitações e prestações de contas. Ela também é uma fonte importante para relatórios de responsabilidade social e análises econômicas.

Base normativa consultada

CPC 09 (R1) e NBC TG 09 (R1) — Demonstração do Valor Adicionado — e arts. 176 e 188 da Lei nº 6.404/1976.

Consultar o CPC 09 (R1) →
Consultar as Normas Brasileiras de Contabilidade →
Consultar a Lei das S.A. →
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A história da riqueza, não apenas a do lucro

A DVA é uma das demonstrações mais fáceis de explicar para quem não é contador — e uma das mais reveladoras. Em uma página, ela mostra quanta riqueza a empresa criou, quanto remunerou as pessoas, quanto destinou ao governo, quanto pagou a terceiros e quanto coube aos proprietários.

Os dados necessários normalmente já estão na escrituração e nos controles contábeis, mas a elaboração exige conciliações, reclassificações e conhecimento da norma. O resultado é uma visão que complementa a DRE e ajuda a contar a história econômica completa da empresa.

Riqueza com transparência

Quer entender como sua empresa gera e distribui riqueza?

A Sant Ana Contabilidade pode ajudar a elaborar e interpretar a DVA de acordo com a realidade do seu negócio.

Falar com a Sant Ana

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação profissional individualizada. A elaboração e a interpretação da DVA devem considerar as normas aplicáveis e as características de cada entidade.